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Comentários sobre o gabarito provisório da ABIN e Recurso do item 3

Escrito por @campitibraga

Justificativa das respostas com as quais concordamos e RECURSO para o item 3:

 

Questão 1 – E

 

Conforme o último parágrafo do texto I, afirma-se que “Convivemos em guerra secreta há muito tempo, embora de forma não perceptível. Por sua vez, na questão, afirma-se que vivemos em uma guerra há muito tempo, “cujos efeitos já estão bem divulgados.

 

Questão 2 – E

 

De acordo com o texto, a guerra secreta é o mais complexo dos conflitos porque ocorre nas sombras, como descrito em “Trata-se do mais complexo dos conflitos, pois ocorre nas sombras, nos bastidores do poder” (l. 16 e 17), não porque “é um jogo estratégico de poder, de interesses e de influência”, conforme apresentado no item.

 

 

Questão 3 – C

 

Solicito, respeitosamente, que o gabarito do item 3 seja alterado de C (certo) para E (errado), pois, em nenhum dos dois casos, a próclise pode ser considerada facultativa pelos motivos seguintes:

No primeiro trecho “Atualmente, como em nenhum outro período da história, crescem e se multiplicam as agências governamentais” (l. 6 e 7), caso o termo “como em nenhum outro período da história” seja considerado intercalado, já que vem isolado por vírgulas, automaticamente, o advérbio “Atualmente” torna-se fator de próclise obrigatória, conforme descrito por Celso Cunha, em Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016, página 326.

No segundo trecho “Essa modalidade de guerra se desenvolve entre agências ou serviços secretos” (l. 14 e 15), o problema torna-se mais complexo, visto que há divergência de opiniões entre considerar ou não os pronomes demonstrativos como fatores de próclise obrigatória.

Considerando-se que o CESPE comumente indica como referência bibliográfica para os estudos da língua portuguesa a obra Nova gramática do português contemporâneo, dos professores Celso Cunha e Luís Felipe Lindley e Cintra, editada pela Nova Fronteira, adotamos o critério de fazer a ênclise, obrigatoriamente, quando não há, na frase, qualquer fator de próclise, conforme a orientação dos referidos autores “Sendo o pronome átono objeto direto ou indireto do verbo, a sua posição lógica, normal, é a ÊNCLISE” (página 323 da referida obra).

Mesmo quando se afirma, conforme o professor Evanildo Bechara, em Moderna Gramática Portuguesa, 37.ed., Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009, p. 585, que “a norma já não é imperiosa se o sujeito está representado por um pronome”, não se pode associar essa regra ao item 3 deste certame, uma vez que a assertiva em análise tem como núcleo do sujeito o vocábulo “modalidade”, e não o pronome demonstrativo, que deve ser classificado, sintaticamente, como adjunto adnominal.

Assim sendo, solicita-se, respeitosamente a alteração do gabarito para ERRADO.

 

 

Questão 4 – C

 

De acordo com Celso Cunha, em Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016, página 566 , a expressão “é que” é denotativa de realce, e, como não desempenha função sintática, pode ser retirada da frase sem prejuízo semântico ou gramatical.

 

 

 

Questão 5 – E

 

É facultado, de acordo com a gramática normativa, o emprego do vocábulo “globais” também no singular, exercendo a concordância atrativa com o núcleo anteposto mais próximo, “influência”, que se encontra no singular, conforme descrito por Celso Cunha, na Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016, página 286.

 

 

Questão 6 – E

 

Além de separar os núcleos do sujeito composto por vírgulas (“busca” e “interpretação”), emprega-se verbo transitivo indireto no plural, mesmo que seguido de índice de indeterminação do sujeito, o que contraria, terminantemente, a norma padrão da língua.

 

Questão 7 – C

 

Tanto o primeiro termo “um aparelho capaz de desvendar os segredos da máquina de criptografia nazista chamada de Enigma” (l. 4 e 5) quanto o segundo “uma máquina eletromagnética que substituía letras por palavras aleatórias escolhidas de acordo com uma série de rotores” (R. 6 a 8) constituem-se como apostos explicativos.

 

 

Questão 8 – C

 

A locução verbal “estavam dizimando” apresenta noção de aspecto permansivo durativo, conforme descreve Celso Cunha, em Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016, página 396, o que corrobora o afirmado no item: “infere-se que a ação de dizimar foi contínua”.

 

 

Questão 9 – C

 

Como a preposição “para” (l. 16) introduz oração subordinada adverbial final, ela contribui para a coesão sequencial e é nocional de finalidade, conforme enunciado no item.

 

Questão 10 – E

 

O termo “Após espiões poloneses terem roubado uma cópia da máquina,” é um longo adjunto adverbial – no caso, de tempo – anteposto a todos os termos da oração, o que pressupõe emprego de vírgula obrigatória, conforme a página 659 de CUNHA, Celso e CINTRA, L. F. Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.

 

 

Questão 11 – E

 

Promoveu-se erro de concordância na reescritura, com o emprego do verbo impessoal haver, empregado como “haviam”.

HAVER – verbo transitivo direto

4     [impessoal] ter existência (material ou abstrata); existir

Exs.: para ela, só há no mundo o neto

haverá deuses, enquanto alguém neles acreditar

quando há paixão, não raro o ciúme aparece

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@campitibraga

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