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Sugestões de Recurso para a prova de Português CACD 2018

Questão 5 – Item 2

Solicito, respeitosamente, que o gabarito do item 2 da questão 5 seja alterado de C (certo) para E (errado), pois não é possível afirmar que gramática prevê como formal culto o emprego de próclise ao verbo auxiliar no infinito, como se verifica em “podem se analisar”, considerando esse tipo de construção característica da variedade coloquial, popular da língua portuguesa.

De acordo com Evanildo Bechara, em Moderna Gramática Portuguesa, 37.ed., Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009, p. 590 “ocorre entre brasileiros, na linguagem falada ou escrita, o pronome átono proclítico ao verbo principal, sem hífen: Eu quero lhe falar./Eu estou lhe falando.

É o mesmo renomado professor que assevera, em seguida: “A Gramática clássica, com certo exagero, ainda não aceitou tal maneira de colocar o pronome átono, salvo se o infinitivo está precedido de proposição, como em Começou a lhe falar ou a falar-lhe”.

De acordo com Celso Cunha, na obra Nova gramática do português contemporâneo, dos professores Celso Cunha e Luís Felipe Lindley e Cintra, editada pela Nova Fronteira, p. 331, a próclise ao verbo principal nas locuções verbais, como em “Será que o pai não ia se dar ao respeito” e em  “Não, não sabes e não posso te dizer mais, já não me ouves”, é característica do português falado no Brasil, assim como a possibilidade de se iniciar frases com tais pronomes átonos, o que, certamente, está em desacordo com a norma culta, estabelecida pelo referido professor, entre as páginas .

Dessa forma, não se pode afirmar que o excerto “podem se assinalar” pode ser considerado correto pela norma culta da língua portuguesa, tendo em vista que esta apenas reconhece seu emprego como uma variante do português coloquial.

Lê-se, na página 323, a seguinte afirmação: “Procuraremos distinguir os casos de próclise que apresentam a norma geral do idioma dos que são optativos e, ambos, daqueles em que se observa uma divergência de normas entre as variantes europeias e a americana da língua.”

A norma padrão é descrita na página 314:

Considerando-se que “nas locuções verbais em que o verbo principal está o infinitivo ou no gerúndio, pode dar-se:

1: sempre a ênclise ao infinito ou ao gerúndio

2: a próclise ao verbo auxiliar, quando ocorrem as condições exigidas (fatores de próclise)”

E, ainda, na página 316:

3: ênclise ao verbo auxiliar quando não se verificam essas condições que aconselham a próclise.

Assim sendo, solicita-se, respeitosamente a alteração do gabarito para ERRADO.

Questão 5 – Item 3

Solicito que o item 3 da questão 5 tenha seu gabarito alterado de C (certo) para E (errado), pois, em CUNHA, Celso e CINTRA, L. F. Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016, p.550 e 551, é possível ler que, embora o verbo “Visar”, no sentido de “ter em vista”, “pretender”, possa construir-se: a) com objeto indireto introduzido pela preposição “a” (Não visava a lucros e, sim, ajudar o próximo); b) com objeto direto (O balde de água fria visava também uma finalidade concreta.), o autor assevera que “esta última construção, condenada por alguns gramáticos, é a dominante na linguagem coloquial e tende a dominar também na língua literária, principalmente quando o complemento  vem expresso por uma oração reduzida de infinitivo (p. 551).

Dessa maneira, não se pode afirmar, conforme consta na questão, que o emprego do verbo sem a preposição “a”manteria a correção gramatical, visto que a gramática normativa não considera o emprego do referido verbo na mencionada acepção correto quando empregado como transitivo direto.

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@campitibraga

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